domingo, 25 de junho de 2017

De lá e de cá da fronteira


De lá e de cá da fronteira



Águas divididas
leste dos momentos percebidos
e das tão desejadas alforrias

Onde
como
até que dia esperar por horizontes

já perdidos
desenhar novos feitios 

de paisagens

Logo.
porque se for esperar...

e se chover?
e se a fronteira mudar?

Não há como [em terra]
não fazer
não realizar nada

só esperar




Eliana Mora, 21/06/2017

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Fonte da Saudade


Fonte da Saudade



redonda
cachos delicados a luzir
em suas cálidas lembranças
sua vida a perder-se
sempre quieta
como se o silêncio fosse fonte
de um passado
que precisasse quieto


ficar




Eliana Mora, 21/06/2017

sábado, 17 de junho de 2017

Porque vejo e sinto


Porque vejo e sinto




Se me arranco de mim
se desperdiço pedaços que voam para todo lado
se desenho outros no meu lugar
se a febre diminui
depois aumenta
se tudo depende de nada ao certo
e tudo precisa mudar - para que dependa
só posso dizer que sou uma 

apenas
no total desamparo deste mundo que vejo e sinto
uma a mais que ama poesia
e que
sem ela

não estaria mais aqui



Eliana Mora, 17/06/2017

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Novamente a Vida


Novamente a Vida




clamor
estética de todos os quereres
a rasgar o semblante que espelha a alegria
entorna em si
a lágrima que não cai mais
a atropelar a dor
e a ansiedade
e
num conjunto quase imediato
de certezas
restitui a graça e a beleza
dessa alma

que sofreu




Eliana Mora, 08/6/2017

domingo, 4 de junho de 2017

Se eu fosse boa nisso



Se eu fosse boa nisso



A dor
um dia me acordou   

sussurrou no meu ouvido
um teorema


Jamais consegui decifrar.


E ela
[ofendida]

ficou



Eliana Mora, 16/05/2017

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Retalhos coloridos


Retalhos coloridos



A rota colorida
me chamou à vida
nada importa nesse instante
se a madrugada misturou
os sonhos meus

a leitura lenta que vejo agora
no poema
vai transcender em muito
a eterna pena
e aqui me largo
cálida e serena
a imaginar o ventre meu

perdas
gotas  rios
oceanos
parece nada haver de tantas enxurradas
mas eu fico

e quando vejo em mim
os danos
ganhos e venturas
vivo as dores que a mim estavam
reservadas

[é assim]




Eliana Mora, maio/2017

quarta-feira, 17 de maio de 2017

À procura da chave mestra


À procura da chave mestra



Um ser poético
nem sempre é bem compreendido
sua voz
suas palavras
sua emoção
podem ter cores diferentes
nebulosas escondidas
pérolas a cobrir de véus
sua poesia
suas reações

um ser poético
nem sempre é olhado com aquela atenção
mais apurada
nem sempre traduz a emoção
ali guardada
nem sempre revela a abertura ao sonho 

e ao amor

Um ser poético
nem sempre se cala

[mas nem sempre revela sua dor]



Eliana Mora, 15/05/2017

De lá e de cá da fronteira

De lá e de cá da fronteira Águas divididas leste dos momentos percebidos e das tão desejadas alforrias Onde como até que dia esperar por...